O instável mecanismo dos relacionamentos amorosos

Relacionar-se é uma arte. Relacionar-se nos mais variados âmbitos da vida: com familiares, amigos , colegas , vizinhos e parceiros amorosos. Relacionar-se é equilibrar constantemente uma boa dose de estabilidade com pitadas de instabilidade.
Buscamos o aconchego e o conforto emocional em uma relação a dois. Queremos nos sentir pertencentes a algo profundo, acolhedor , seguro, que nos proteja das intempéries do mundo externo.
Esperamos encontrar no parceiro o nosso lugar seguro no mundo…quer dizer , muitas pessoas esperam isso. Encontrar a estabilidade emocional é o desejo de muitas pessoas. Para algumas , esta vontade desponta logo no início da juventude. Para outras , leva um pouco mais de tempo. Mas, chega um dia , em que queremos estabilidade.
Porém, injetar pitadas de instabilidade no relacionamento pode ser criativo e saudável. Contanto que tais pitadas sejam pitadas mesmo. Excesso de instabilidade transforma tudo num grande caos e abala seriamente as relações. Mas , se não houver uma gotinha de dúvida , se não houver um espacinho reservado para a subjetividade , para a individualidade do outro e para a nossa também, o excesso de estabilidade pode destabilizar a relação.
Relacionar-se, entre outras coisas, é tomar decisões em conjunto. Mas, se não tivermos um tempinho para nós mesmos , para os nossos projetos , para as nossas amizades, a relação passa de um estado aconchegante para um estado sufocante.
Quando o parceiro vira quase uma segunda pele e não sobra tempo e espaço para mais nada nem para mais ninguém, a vida perde muito da sua criatividade e a relação de certa forma vai se empobrecendo porque as pessoas vão se eclipsando como indivíduos. Deixar a relação respirar é um grande desafio , principalmente quando as pessoas em questão estão muito apaixonadas ou possuem uma natureza mais dependente no sentido afetivo. Sim, quem é mais romântico tende a criar relações mais simbióticas, o que pode ser muito gostoso no começo…apenas no começo.
Trabalhar a própria individualidade e alimentar projetos pessoais é muito salutar , até mesmo para se tornar uma pessoa mais interessante aos olhos do parceiro. Quando me refiro a trabalhar a individualidade , não estou aconselhando ninguém a ser egoísta. Me refiro à necessidade de cada um aprender a se cuidar , para poder depois cuidar melhor de quem ama.
Quando nos amamos mais e melhor , com mais carinho, com mais respeito, provavelmente nos tornamos melhores parceiros amorosos, pois não transformaremos o outro na nossa tábua de salvação e sim num companheiro para partilhar a vida.

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